UMM vermelho fora de série

Antecedentes deste UMM

No imaginário coletivo dos apreciadores UMM, houve sempre modelos Alter com a vivacidade da cor vermelha – fosse nas carroçarias das viaturas dos Bombeiros pintadas de cor vermelho fogo, fosse nas viaturas para uso particular pintadas de cor vermelho dos CTT.

A combinação do vermelho da carroçaria, com interiores de fibra em tom Camel e estofos de tecido de fios castanho, creme e vermelho, original dos anos 80 do século passado, também trouxe sempre boas memórias dos UMM.

Este UMM não foi o primeiro experimentado na vida deste conservador, mas foi o primeiro a ficar pronto para iniciar a coleção de Lendários.

Um intenso processo de busca e de ensaios de vários UMM, que foram sendo sucessivamente descartados, permitiu um bom avanço na curva de aprendizagem. Pretendia-se começar com um exemplar em muito bom estado, para estudar e aplicar lições aprendidas às futuras aquisições para esta coleção.

Por fim, encontrou-se este exemplar. Estava em muito bom estado, graças aos recursos profissionais de restauro e conservação, de um concessionário automóvel do Fundão, que o tinha comprado com 200 000 km, reconstruído completamente e usado apenas moderadamente mais 60000 km e conservado debaixo de teto.

Vida deste UMM na coleção

O facto de ser um dos mais caros do mercado, em 2018, e de estar numa zona afastada da maioria dos potenciais interessados, terá sido determinante para chegar a consegui-lo.

A intervenção de conservação resumiu-se a reavivar a estética original e a prover algumas necessidades mecânicas, elétricas e pneumáticas mais associadas a falta de uso que a desgaste ou avaria.

Como os bancos dianteiros com que o UMM vinha eram baquets, foram substituídos pelos bancos originais ainda embalados no estado de novos. Os bancos longitudinais traseiros também continuavam novos, porque chegaram na posição (permanente) de recolhidos, para dar espaço a um banco transversal de dois lugares. Foi assim que um UMM com trinta anos, estreou finalmente os seus bancos de origem, com este aspeto fabuloso.

Coincidentemente, na mesma época, foi avistado pela última vez um anúncio de venda de um derradeiro rolo deste tecido. Devido à aparência momentânea de abundância deste tecido, não se chegou a comprar o rolo para os recursos de conservação da coleção – opção essa que veio a resultar em arrependimento posterior.

O UMM serviu para extrair lições da prestação da mecânica original – em particular do motor atmosférico original de 76 cavalos e da travagem traseira por tambores – e como padrão de qualidade de restauro, com vista a um projeto de restauro a realizar com os recursos da coleção, do Alter II Station Wagon da Câmara de Oeiras. Adicionalmente, serviu também para avaliar se o mercado valorizava UMMs restaurados à condição de saída de fábrica – um segmento que quase não existia à época.

A exposição deste UMM ao mercado foi breve, porque acolhida por muitos entusiastas. A propriedade do carro acabou por ser transferida a um operador turístico da zona Cascais/Sintra, que – apesar de ser mais novo que o UMM – tinha todos os preditores de bom conservador, por gosto pessoal e por necessidade profissional de manter a viatura atrativa e funcional para os turistas. Assim, o UMM fez mais dois anos de vigorosos passeios paisagísticos dentro e fora de estrada, até mudar para uso exclusivamente privado.